Pesquisa nacional mostra apoio popular à proposta de enquadrar facções como terrorismo.
Sete em cada dez brasileiros apoiam a ideia de classificar facções criminosas como grupos terroristas. O levantamento foi realizado pelo Instituto de Planejamento Estratégico (Ibespe) entre 3 e 10 de novembro, com 1.010 entrevistas telefônicas. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais e o grau de confiança de 95%.
Segundo dados complementares do IBGE, o Brasil registrou em 2024 mais de 45 mil homicídios, reforçando a preocupação da população com a segurança pública. Além disso, informações da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) apontam que facções como o PCC mantêm forte influência em crimes organizados, o que intensifica o debate sobre endurecimento das leis.
Regiões e perfis com maior apoio
O apoio à medida varia conforme a região. No Centro-Oeste, 80,6% dos entrevistados concordam com a proposta, enquanto no Sul o índice é de 75,4%. Já no Norte, o percentual cai para 64,8%.
Entre os homens, 78,7% apoiam a ideia, contra 67,5% das mulheres. A faixa etária de 35 a 44 anos apresentou maior adesão, com 76,8%. O recorte religioso também mostrou destaque: 79,6% dos evangélicos defendem a equiparação.
No campo político, os eleitores de Jair Bolsonaro registraram 85,9% de apoio, enquanto entre os que votaram em Luiz Inácio Lula da Silva o índice foi de 59,6%.
Declaração de Lula gera repercussão
Durante visita à Indonésia, em outubro, o presidente Lula afirmou que usuários de drogas seriam “responsáveis pelos traficantes”. A fala repercutiu negativamente no Brasil.
De acordo com a pesquisa, 43,6% dos entrevistados acreditam que Lula se confundiu, enquanto 38,3% entendem que ele realmente pensa dessa forma. O episódio reacendeu discussões sobre política antidrogas e responsabilidade criminal.
Projeto de Lei Antifacção em debate
O Projeto de Lei Antifacção está em análise na Câmara dos Deputados. O relator, Guilherme Derrite (PP-SP), inicialmente sugeriu incluir facções na Lei Antiterrorismo. Entretanto, em 11 de novembro, recuou e retirou essa menção da versão final.
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), facções criminosas já são alvo de diversas operações, mas ainda não possuem enquadramento específico como terrorismo. Dessa forma, o debate legislativo busca definir se penas mais severas devem ser aplicadas.
Impacto na segurança pública
Dados do DataSUS mostram que a violência urbana continua sendo uma das principais causas externas de mortes no país. Consequentemente, a pressão por medidas mais duras cresce.
Além disso, relatórios da ONU sobre drogas e crime indicam que organizações criminosas brasileiras expandiram sua atuação para países vizinhos, aumentando a complexidade do enfrentamento.
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