Na capital, os manifestantes foram levados à força a ônibus e furgões policiais que estavam estacionados em uma praça, que foi fechada ao tráfego.
Dezenas de manifestantes foram às ruas nas principais cidades do Cazaquistão para protestar durante as eleições presidenciais deste domingo (9). Este é o primeiro pleito desde 1991 em que Nursultan Nazarbayev, que governou o país por 30 anos, não concorreu. Ele renunciou ao cargo em março deste ano. As urnas foram fechadas às 20h (11h de Brasília).
Houve a informação de que um idoso teria morrido durante os confrontos, mas o governo informou que o homem havia perdido a consciência.
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Policiais tentam conter manifestante durante as eleições presidenciais no Cazaquistão neste domingo (9). — Foto: YACHESLAV OSELEDKO / AFP
Na capital, os manifestantes se reuniram em frente ao Palácio da Juventude sob gritos de “Shal, ket!” (“Fora, velho!”), em referência a Nazarbayev. Apesar da renúncia, ele continua sendo o líder na sombra à frente do influente Conselho de Segurança.
Eles também diziam “Vergonha!” e “Boicote”, já que a maioria dos partidos opositores optou pelo boicote dos pleitos presidenciais.
Houve protestos também na segunda maior cidade do país, Almaty, onde também ocorreram detenções.
Segundo o Ministério do Interior, os protestos foram convocados pelo banqueiro Mukhtar Ablyazov, que está exilado na França por ser procurado pela Justiça do país. Ele é tido como chefe da organização extremista Escolha Democrática do Cazaquistão (DVK, na sigla em cazaque).
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Policiais tentam conter manifestação durante a eleição presidencial do Cazaquistão. — Foto: VYACHESLAV OSELEDKO / AFP
Detenções
Na capital, os agentes anti-distúrbios chegaram ao protesto com escudos e cassetetes e avançaram sem hesitar contra todos os participantes do protesto, muitos deles jovens. O número de agentes era maior do que o de manifestantes.
Os manifestantes foram levados à força a ônibus e furgões policiais que estavam estacionados em uma praça, que foi fechada ao tráfego.
A polícia deteve todos os jovens que estavam na praça e gravavam os incidentes e as prisões com telefones celulares.
O governo afirmou que só foram detidos “os mais ativos”, mas nas redes sociais apareceram informações e imagens de jornalistas detidos e agredidos.
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Manifestante fica no chão durante protesto no dia da eleição presidencial no Afeganistão neste domingo (9). — Foto: VYACHESLAV OSELEDKO / AFP
Candidatos
O atual presidente e candidato governista, Qasim-Yomart Tokayev, recomendou nesta manhã às forças de segurança que sejam tolerantes com os dissidentes, mas advertiu que o governo não fechará os olhos diante de graves violações da lei.
Tokayev, de 66 anos, desponta como o grande favorito à vitória, de acordo com as poucas pesquisas divulgadas pela imprensa local.
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Amirzhan Kosanov, fala à imprensa após votar nas eleições presidenciais do Cazaquistão neste domingo (9). — Foto: Stanislav Filippov/AFP
As principais potências apoiam uma transição ordenada, com Tokayev à frente, que garanta os multimilionários investimentos em um país rico em recursos minerais.
O segundo candidato nas pesquisas é o jornalista Amirzhan Kosanov, o primeiro opositor a apresentar sua candidatura em 14 anos, apesar de o principal partido da oposição democrática tenha estimulado o boicote eleitoral.
Independentemente do resultado, a eleição também passará à história porque, pela primeira vez desde o surgimento da democracia na Ásia Central, uma mulher, Daniya Yespayeva, participa da corrida presidencial.
