Sinal silencioso, o tumor costuma imitar dores comuns nas costas e pode atrasar o diagnóstico; veja os principais sintomas de alerta
A história de Ailton Santana, de 53 anos, ilustra bem a busca por um diagnóstico que levou meses. Ele convivia com dores nas costas 24 horas por dia, procurando vários ortopedistas até que exames revelaram algo surpreendente: não era uma dor comum de coluna, mas sim um tumor vertebral.
Depois de uma ressonância magnética, descobriu-se que o problema não estava nos discos ou articulações, mas sim nas vértebras — resultado de um câncer no osso, e não de degeneração natural da coluna.
A notícia pegou Ailton de surpresa, já que muitas pessoas — pacientes e médicos — tendem a descartar a hipótese de câncer quando a dor se assemelha àquela típica de lesões musculoesqueléticas. Essa subestimação pode atrasar diagnósticos cruciais.
Além disso, ele relata a sensação devastadora de “ter o chão se abrir” ao saber que o problema era, na verdade, um tipo de câncer sério, e não apenas um incômodo ortopédico. Esse choque emocional é comum em pacientes que recebem esse tipo de diagnóstico após muitos meses de busca por respostas.
O câncer por trás dessa dor, no caso de Ailton, é o mieloma múltiplo, uma neoplasia de células plasmáticas que se multiplica anormalmente na medula óssea.
Na maioria dos casos de mieloma múltiplo, há envolvimento dos ossos: entre 70% e 90% dos pacientes apresentam lesões ósseas que causam dor nas vértebras, costelas, quadris e outros ossos.
Essas células plasmáticas malignas produzem substâncias que degradam o tecido ósseo, levando a fragilidade, fraturas patológicas e compressão de estruturas vertebrais.
Além disso, esse tipo de câncer pode provocar hipercalcemia (aumento de cálcio no sangue), que agrava os sintomas — um dos mecanismos por trás da dor nas costas nesses pacientes.
Uma das maiores dificuldades no diagnóstico do mieloma múltiplo é que a dor nas costas é extremamente comum na população e muitas vezes associada ao envelhecimento, postura ou problemas ortopédicos simples.
Muitos médicos e pacientes não consideram imediatamente a hipótese de câncer, especialmente quando os sintomas são só de dor, sem outros sinais óbvios de doença.
De acordo com especialistas entrevistados no caso de Ailton, exames relativamente simples — como a eletroforese de proteínas — são subutilizados: esse teste pode sugerir mieloma e ajudar na triagem.
Além disso, no Brasil, a falta de infraestrutura e de registro epidemiológico agrava o problema: muitos pacientes só são diagnosticados em estágios avançados, quando a destruição óssea já é significativa.
Se você convive com dor nas costas constante e já consultou especialistas de coluna várias vezes sem melhora ou diagnóstico claro, pode ser útil discutir com um hematologista ou oncologista. A história de Ailton mostra que insistir pode levar a descobertas importantes.
Peça ao seu médico exames específicos: além da ressonância magnética, a eletroforese de proteínas pode ser um exame barato e eficaz para levantar a suspeita de mieloma múltiplo.
Em casos de metástase, o diagnóstico costuma envolver exames de imagem como tomografia, ressonância ou cintilografia, e biópsia para identificar a origem tumoral.
Quanto mais cedo o diagnóstico, melhor: tratamentos modernos têm evoluído bastante, e embora o mieloma ainda não tenha “cura total”, há terapias eficazes que oferecem resposta duradoura e melhor qualidade de vida.
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