Voo com destino a Brasília desviou para aeroporto regional após princípio de incêndio a bordo causado por bateria portátil

Um avião da Latam realizou pouso de emergência no Aeroporto Estadual Doutor Leite Lopes, em Ribeirão Preto, na tarde desta quinta-feira (29), após explosão de uma bateria portátil a bordo. O incidente ocorreu por volta das 16h30 e mobilizou equipes de bombeiros e médicos do terminal aeroportuário, que atende passageiros de Araraquara e toda região central paulista.

O voo LA3581 partiu de São Paulo com destino a Brasília quando o comandante identificou situação crítica e decidiu desviar a rota. A alegação oficial registrada foi “fogo a bordo”, classificação que aciona protocolos emergenciais máximos na aviação civil. A tripulação conseguiu conter as chamas antes do pouso, evitando agravamento da situação.

Um passageiro necessitou atendimento médico após o pouso, sendo assistido pela equipe de saúde do aeroporto. Bombeiros do Corpo de Bombeiros Militar permaneceram no local realizando procedimentos de segurança até aproximadamente 17h, garantindo que todos os riscos fossem completamente eliminados antes da liberação da aeronave e passageiros.

RedeVoa, concessionária responsável pela gestão do Aeroporto Doutor Leite Lopes desde abril de 2022, não se pronunciou sobre o incidente até o fechamento desta reportagem. A Latam igualmente não forneceu declarações oficiais sobre as circunstâncias exatas do ocorrido, procedimentos adotados ou estado de saúde dos passageiros afetados.

Power banks representam risco crescente na aviação comercial

As baterias de íon-lítio, componente fundamental dos carregadores portáteis, contêm até 20 componentes distintos incluindo líquidos voláteis. Quando submetidas a condições inadequadas – sobrecarga, temperaturas extremas, impactos físicos ou defeitos de fabricação – podem apresentar falhas catastróficas resultando em superaquecimento, ruptura e até combustão espontânea.

O eletrólito, substância que permite condução de corrente elétrica no interior das células, torna-se particularmente perigoso quando entra em contato com oxigênio atmosférico. A reação química desencadeada pode produzir chamas intensas e fumaça tóxica em ambiente confinado como cabine de aeronave, criando risco imediato à segurança de passageiros e tripulação.

Casos similares documentados internacionalmente demonstram gravidade do problema. Em outubro de 2025, voo da Hong Kong Airlines precisou realizar pouso de emergência após incêndio no compartimento superior causado por power bank. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostraram interior do bagageiro completamente queimado, evidenciando potencial destrutivo desses dispositivos quando falham.

Regulamentação brasileira estabelece limites estritos para transporte

A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) mantém regulamentação específica sobre transporte de baterias portáteis em aeronaves. O documento ASO 00040/2025, atualizado em outubro passado, estabelece diretrizes detalhadas que todos os passageiros devem conhecer antes de embarcar com esses dispositivos.

Baterias de lítio com capacidade até 100 watts-hora (Wh) – equivalente a aproximadamente 27.000 miliampère-hora (mAh) – podem ser transportadas na bagagem de mão sem restrição de quantidade, respeitando limite prático de 20 unidades por passageiro. Essa categoria abrange maioria absoluta dos carregadores portáteis comercializados para uso pessoal.

Dispositivos entre 100 e 160 Wh necessitam autorização prévia da companhia aérea, com limite máximo de duas unidades por passageiro. Qualquer bateria portátil acima de 160 Wh encontra-se terminantemente proibida em voos comerciais, independentemente de ser transportada na cabine ou bagagem despachada.

A proibição absoluta de power banks em bagagem despachada fundamenta-se em razões técnicas críticas. No porão pressurizado da aeronave, ausência de tripulação impede intervenção imediata caso bateria apresente falha. Sistemas anti-incêndio automatizados mostram-se limitados, detecção de fumaça ocorre tardiamente e pressão reduzida agrava problemas de superaquecimento.

Orientações fundamentais para viajantes com dispositivos eletrônicos

Passageiros que pretendem viajar com baterias portáteis devem adotar precauções essenciais para garantir segurança própria e de demais ocupantes da aeronave. A primeira recomendação é verificar claramente a capacidade do dispositivo, informação que deve estar impressa no corpo do carregador ou em sua embalagem original.

Somente power banks de marcas reconhecidas e certificadas devem ser utilizados em viagens aéreas. Dispositivos de procedência duvidosa ou fabricação artesanal apresentam risco exponencialmente maior de falhas, não passando por controles rigorosos de qualidade exigidos para equipamentos contendo baterias de lítio.

Durante voo, baterias portáteis devem permanecer desligadas nos momentos críticos de decolagem e pouso, quando comissários de bordo solicitam que todos aparelhos eletrônicos sejam desativados. Nos demais momentos, uso é permitido desde que dispositivo permaneça em local acessível, nunca guardado em bagagem de mão no compartimento superior.

Sinais de problemas incluem aquecimento excessivo, expansão física visível (bateria “estufada”), odores químicos incomuns ou funcionamento errático. Qualquer dessas manifestações exige ação imediata: desligar dispositivo, desconectar todos cabos e alertar tripulação, que possui treinamento específico e equipamentos especializados para contenção de incêndios em baterias.

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