Maioria das detenções ocorreu em quartel em que grupo se entrincheirou e gravou vídeos. Noite de segunda teve panelaços e protesto em avenida de Caracas.
Autoridades da Venezuela divulgaram nesta terça-feira (22) que detiveram 27 militares que realizaram um motim contra o presidente Nicolás Maduro na segunda, dois dias antes de manifestações opositoras para exigir um governo de transição e a realização de novas eleições.
De madrugada, este grupo da Guarda Nacional (GNB) subtraiu armas de guerra de um posto militar em Petare, na região leste do país, e se entrincheirou em seguida no quartel do bairro Cotiza, norte, onde os revoltosos foram detidos, segundo um informe oficial.
O número dois do chavismo, Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Constituinte, disse à imprensa que foi o sargento Bandres Figueroa quem liderou o levante e que 25 das 27 detenções ocorreram no quartel.
Em um dos vários vídeos que circularam em redes sociais, um militar que se identificou justamente como o sargento Bandres Figueroa disse não reconhecer Maduro e pediu o apoio dos venezuelanos.
Segundo a Força Armada, os “atacantes”, que também sequestraram quatro militares, foram rapidamente controlados, submetidos à Justiça e “será aplicada a eles todo o peso da lei”. Durante a prisão, conseguiram recuperar o armamento roubado.
Após o rápido motim, moradores de Cotiza, Los Mecedores e outros bairros do norte da capital, enfrentaram com pedras, paus e garrafas a tropa de choque, que respondeu com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Vários manifestantes ficaram feridos, constataram equipes da AFP.
Os distúrbios começaram pela manhã, quando dezenas de moradores de Cotiza se aproximaram do quartel para apoiar os insurgentes, fizeram panelaços e barricadas nas ruas queimando lixo, um veículo abandonado e escombros.
“Estamos cansados. Não dá mais”, disse a jornalistas um jovem de 29 anos, com uma bandeira venezuelana presa ao corpo, durante os confrontos.
Panelaços e protestos na rua
Na noite desta segunda-feira, ocorreram panelaços em vários bairros de Caracas e grupos de manifestantes fecharam a avenida Forças Armadas, no centro da capital, aos gritos de “Este governo vai cair”, até a polícia de choque dispersá-los com bombas de gás lacrimogêneo.
Em El Valle, no sul de Caracas, homens encapuzados saquearam lojas, sem que a polícia ou os militares fossem ao local, contaram testemunhas à AFP.
Fonte: G1















