Davi Alcolumbre, Presidente do Senado Federal. (Foto; Agência Senado)

Em Brasília, presidente do Senado sinaliza que vai inflar o circuito de comissões para atrasar a PEC, atendendo a pressões do setor produtivo.

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, indicou a interlocutores que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1 passará por um rito estendido de votação na Casa. A condução da pauta ocorre em meio ao distanciamento político entre a presidência do Senado e o Palácio do Planalto, o que atinge diretamente os interesses da base do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Para as sessões de esforço concentrado no plenário programadas para a próxima semana, a matéria trabalhista não foi incluída. A prioridade definida pela Mesa Diretora é a análise da indicação do ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao cargo de corregedor do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Divergências Políticas entre Senado e Executivo

A tramitação cadenciada da PEC da jornada de trabalho reflete as votações recentes que contrapuseram o Senado e o governo federal neste ano de 2026. O relacionamento institucional sofreu desgaste após duas deliberações do plenário:

Vetos Rejeitados: A derrubada dos vetos presidenciais à lei de dosimetria das penas de condenados pelos atos do dia 8 de janeiro;

Indicação ao STF: A rejeição do nome de Jorge Messias para a vaga de ministro no Supremo Tribunal Federal.

O ritmo adotado no Senado difere do processo registrado na Câmara dos Deputados, onde o presidente Hugo Motta acelerou a tramitação por meio de comissão especial, levando o texto à aprovação em plenário no intervalo de um mês.

Encaminhamento a Comissões e Demandas do Setor Produtivo

Pelo regimento interno do Senado, o texto aprovado pela Câmara necessita formalmente do parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de seguir para o plenário. Alcolumbre, no entanto, sinalizou que submeterá a proposta a outros colegiados temáticos.

O envio do texto a mais comissões dilata o calendário de debates e adia a votação final. A medida acompanha o posicionamento de representantes de setores produtivos e de entidades patronais, que pleiteiam maior tempo de discussão e a postergação da matéria para o período pós-eleitoral.

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