Presidente da agência afirma que tarifas brasileiras estão entre as mais baixas do mundo, mas renda da população torna as viagens caras
O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Tiago Faierstein, afirmou que o principal problema relacionado ao preço das passagens aéreas no Brasil não está necessariamente no valor cobrado pelas companhias, mas no baixo poder de compra da população brasileira.
Em entrevista ao NeoFeed, publicada nesta segunda-feira (10), Faierstein defendeu que, quando comparadas internacionalmente, as tarifas praticadas no país estão entre as mais baixas. Segundo dados apresentados pelo presidente da agência, a tarifa aérea média no Brasil foi de R$ 653 em 2025, enquanto menos de 5% das passagens comercializadas no período custaram mais de R$ 1.500.
Para Faierstein, entretanto, a análise precisa considerar a renda do passageiro brasileiro.
“O problema é o poder de compra. Infelizmente, a renda do brasileiro é uma renda muito baixa”, afirmou.
Passagem em dólar pesa mais quando convertida para reais
Um dos argumentos apresentados pelo presidente da Anac é a diferença entre o preço da passagem e a moeda em que o consumidor recebe sua renda.
Faierstein destacou que aproximadamente 70% dos custos da aviação são dolarizados, enquanto a maior parte da renda dos passageiros brasileiros é denominada em reais.
Na avaliação do presidente da agência, uma tarifa média de R$ 653 equivale a cerca de US$ 120, valor que seria considerado baixo em uma comparação internacional. O problema é que, para o consumidor brasileiro, esse mesmo valor convertido para reais representa uma parcela significativa da renda.
“US$ 120 se torna R$ 650, já fica pesado para muitas pessoas. Então, o poder de compra no Brasil influencia bastante nesse mercado”, explicou.
A declaração ajuda a explicar uma aparente contradição no mercado brasileiro: a tarifa pode ser relativamente baixa quando comparada em dólar, mas continuar sendo cara para uma parcela significativa da população quando considerada em relação à renda.
Compra antecipada pode reduzir o preço
Outro ponto destacado por Faierstein foi o momento em que o passageiro compra a passagem.

Segundo ele, valores mais elevados normalmente aparecem quando a compra é realizada próxima da data do voo. Como exemplo, citou uma passagem de Brasília para Recife que poderia custar cerca de R$ 500 quando adquirida com seis meses de antecedência, mas alcançar valores muito superiores quando comprada uma ou duas semanas antes.
A lógica, segundo o presidente da Anac, está no próprio modelo de precificação das companhias aéreas. As empresas distribuem os custos do voo entre os diferentes passageiros e utilizam diferentes faixas tarifárias de acordo com a antecedência e a demanda.
Faierstein afirmou que o passageiro que paga R$ 1.500 ou R$ 2.000 por uma passagem pode estar, na prática, ajudando a compensar aqueles que compraram bilhetes antecipadamente por R$ 400 ou R$ 500.
Por isso, a recomendação da agência é que o consumidor se planeje e compre as passagens com maior antecedência sempre que possível.
Oferta e demanda também influenciam
Embora tenha colocado o poder de compra como um dos principais fatores, Faierstein reconheceu que a relação entre oferta e demanda também exerce influência direta sobre os preços.
Segundo ele, quanto maior for a quantidade de assentos disponíveis no mercado, maior tende a ser a competição entre as empresas e, consequentemente, a possibilidade de redução das tarifas.
O presidente da Anac, porém, ponderou que simplesmente aumentar o número de companhias aéreas não resolveria sozinho o problema.
Faierstein citou fatores como combustível, dólar e cenário econômico internacional entre os componentes que mais pressionam os custos da aviação. O combustível, por exemplo, representa uma parcela significativa das despesas das empresas, enquanto diversos outros custos do setor estão vinculados ao dólar.
“Não é só isso. Essa é uma das coisas que podemos fazer. Mas também seria muito prematuro e irresponsável da minha parte eu dizer que trazer uma nova companhia aérea para o Brasil resolve o problema do valor da passagem aérea. O problema é um conjunto de coisas, um conjunto de cenários”, afirmou.
Competição pode ajudar, mas não é solução isolada
A Anac vem defendendo medidas para aumentar a concorrência e facilitar a entrada de novas companhias no mercado brasileiro. Faierstein afirmou que a agência trabalha para tornar o ambiente mais atrativo para empresas estrangeiras.
Na visão do presidente, uma maior competição pode trazer benefícios para o setor, como mais aeronaves, maior oferta de assentos e ampliação da infraestrutura de manutenção e de tripulação.
Ainda assim, ele reforçou que os preços das passagens não dependem exclusivamente da quantidade de empresas que operam no país.
Para a Anac, o cenário macroeconômico internacional continua sendo determinante para os custos da aviação.
Debate sobre preço deve considerar renda
A declaração de Faierstein coloca o poder de compra no centro do debate sobre o custo das viagens aéreas no Brasil.
De um lado, os dados apresentados pela Anac indicam uma tarifa média de R$ 653 e mostram que a maior parte das passagens é comercializada abaixo de R$ 1.500. De outro, o valor de uma passagem representa uma parcela muito maior da renda de um brasileiro do que de consumidores de países com maior renda média.
Assim, a discussão sobre passagens “caras” ou “baratas” não depende apenas do preço do bilhete. Também envolve a relação entre a tarifa, a renda disponível do passageiro, o câmbio e os custos internacionais que compõem a operação das companhias aéreas.
Na avaliação do presidente da Anac, o desafio brasileiro está justamente nessa equação: uma tarifa relativamente baixa em dólares pode continuar sendo pesada para quem recebe em reais.
Antes de ir, que tal se atualizar com as notícias mais importantes do dia? Acesse GAZETA DA JUREMA e acompanhe o que está acontecendo no Brasil e no mundo com apenas um clique:http://gazetadajurema.com.br/ e nos siga no Instagram https://www.instagram.com/gazetadajurema/
O site GAZETA DA JUREMA, é um veículo de comunicação independente. Nos ajude a continuarmos produzindo conteúdos para lhe manter sempre bem informado contribuindo com qualquer valor pelo pix 85 9 8216 1006 Nosso WhatsApp (55) 85 9 8784-6046














