Com cerca de 90% dos profissionais que compõem o quadro educacional vacinados com as duas doses contra a Covid-19, Prefeitura espera iniciar última fase de retomada em 20 de setembro

Aferição de temperatura e aplicação de álcool em gel nas mãos, assim são recebidas as pessoas que chegam à Escola Municipal Madre Teresa de Calcutá, localizada no bairro de Fátima, em Fortaleza. O protocolo é recomendado em todas as 471 unidades escolares da rede municipal que retomaram as aulas presenciais nesta quarta-feira, 8.

O POVO acompanhou a volta dos estudantes às salas de aula, que inicialmente recebem alunos das turmas do Infantil III, IV e V e 1º e 2º anos do ensino fundamental. De acordo com a Secretaria Municipal da Educação (SME), cerca de 79.820 alunos dos mais de 240 mil matriculados na Rede retomaram as atividades presenciais, o número corresponde a 33,2% do total de estudantes.

Para as famílias que viveram ativamente o processo da educação remota durante as fases mais críticas da pandemia, a retomada do modelo presencial é um alento.

Alessandra Oliveira, 34, acompanhou a filha de 8 anos até a escola municipal, no bairro de Fátima. Ela relata as dificuldades enfrentadas durante o período em que a filha esteve longe da sala de aula.

“Tava sendo muito difícil. As aulas online não estavam servindo para ela, na hora que chegavam as tarefas dela era o horário que eu saía para trabalhar”, lamenta.

Mesmo com a felicidade e o alívio com a retomada, Alessandra tem consciência de que ainda não é o momento de relaxar todo o cuidado sanitário adotado durante os últimos meses.

“A pandemia ainda não acabou, né? Então tem que estar tudo sob controle, tudo limpo. A criança tem que vir de máscara, álcool direto, para não adoecer”, destaca.

A psicanalista Joana Mendes, 41, era mais uma mãe que aguardava ansiosamente a retomada do ensino presencial. Ela também relata dificuldades para auxiliar a filha durante o ensino remoto.

“Essa retomada já dá um alívio para melhorar a condição escolar dos nossos filhos. Por mais que a gente queira, mesmo sendo mãe, mesmo procurando as informações, a gente não tem a mesma didática que a escola”, comenta.

Nas salas de aula, os professores tratavam de explicar os protocolos para as crianças antes mesmo de iniciarem o conteúdo. O pequeno Enzo Ribeiro, de apenas 7 anos, mostra que entendeu todas as recomendações.

“É muito legal voltar para as aulas. Também tem que se cuidar, não pode sair de casa, tem que usar máscara se sair, passar álcool em gel, lavar as mãos e também comer e cuidar da saúde”, conta Enzo, que também afirmou estar com saudade dos colegas de classe.

A retomada ao modelo presencial tem previsão de ser concluída ainda durante este mês de setembro, quando as duas próximas etapas entrarão em vigor. A segunda fase terá início no próximo dia 13, quando serão incluídos os alunos do Infantil I e II e 3º, 4º e 5º anos do ensino fundamental (totalizando 61,3% dos estudantes da Rede).

A última etapa de retomada terá início no dia 20 de setembro, data em que os estudantes do 6º, 7º, 8º e 9º anos e da Educação de Jovens e Adultos iniciarão o retorno ao modelo presencial.

A SME destaca que, apesar da retomada, o rodízio de alunos nas escolas seguirá acontecendo. O objetivo é que as turmas sejam divididas pela metade, e cada grupo tenha uma semana de ensino presencial de forma alternada, enquanto a outra metade desenvolve atividades em domicílio.

Para a diretora da Escola Municipal Madre Teresa De Calcutá, Mirela Ibiapina, o processo de retomada pôde ser considerado tranquilo, porque, segundo ela, todas as escolas receberam as orientações necessárias.

“A escola se organizou de forma a cumprir todos os protocolos de distanciamento. Temos mais de 1,5 metro entre uma criança e outra. Temos álcool em todas as dependências internas e externas”, relata.

A diretora relata que, além dos tapetes sanitizantes espalhados pelo ambiente, a aferição de temperatura dos estudantes será realizada em dois momentos: durante a entrada na escola e após duas horas da primeira aferição.

“É um cuidado adicional que resolvemos adotar para trazer mais segurança para todos. A retomada vai ser bem gradativa e muito monitorada. Temos atualmente 396 crianças matriculadas, mas, hoje, não temos nem a metade desses alunos por aqui”, completa.

Intervenções nas escolas

Em conversa com O POVO, Dalila Saldanha, secretária municipal da educação de Fortaleza, conta que as avaliações do processo de retomada foram iniciadas em 2020. Por meio desse diagnóstico, foi possível averiguar quais adaptações eram necessárias.

“Com o diagnóstico, iniciamos o processo de intervenção, desde a instalação de lavatórios, verificação de toda a parte elétrica e hidráulica, além do aumento também do número de sanitários e instalação de reservatórios de água, abertura de janelas e o aumento do número de ventiladores e bebedouros”, explica.

Os bebedouros também passaram por mudanças, ganhando torneiras que facilitam o uso de garrafinhas e inibem a possibilidade dos estudantes utilizarem a boca para beberem água direto do equipamento.

Os cuidados para a retomada das atividades vão além do espaço físico, de acordo com a secretária. Ela diz que o cuidado com o psicológico de todos que fazem parte do ambiente escolar também é uma preocupação da SME.

“Temos o plano de acolhimento realizado pelos nossos psicólogos, onde já iniciamos esse plano desde o mês de julho. Começamos pelos profissionais que atuam na estrutura estratégica e administrativa, até chegar nas famílias, passando também pelos professores e estudantes”, relata.

De acordo com Jeferson Maia, secretário-adjunto da SME, a retomada é fruto de uma construção de protocolos sanitários e pedagógicos. Maia celebra o avançado processo de vacinação dos profissionais que fazem parte do meio educacional.

“Mais de 90% dos nossos profissionais da educação já estão vacinados. Todos os que estão nas escolas já estão imunizados. A Prefeitura de Fortaleza também já avançou na imunização de adolescentes até 12 anos de idade”, destaca.

Maia comenta, ainda, sobre a “ficha saúde”, cartilha que deve ser preenchida diariamente pelos responsáveis de cada estudante. O formulário traz as condições de saúde dos alunos e será acompanhado por profissionais da Prefeitura em caso de suspeita de contaminação.

“Nos cercamos de todos os cuidados, todo o protocolo sanitário acontece desde o início do dia. As famílias devem preencher a ‘ficha saúde’, e lá apontar se a criança está com algum sintoma ou se alguém da família teve Covid-19. A partir daí é disparado um rastreamento para casos suspeitos”, explica.

Preocupação com a evasão escolar

O prefeito de Fortaleza, José Sarto (PDT), também acompanhou de perto o retorno das aulas presenciais. Por meio de uma live, o prefeito registrou a visita dele a uma escola municipal no bairro Novo Mondubim. Sartou destacou que agentes da Prefeitura realizarão trabalhos em busca de combater a evasão escolar.

“A Prefeitura contratou 1.300 agentes escolares, que vão fazer uma busca ativa. Se alguém faltou, vão saber por que faltou e o que podem fazer para voltar para a escola.” De acordo com Sarto, esses agentes já estão atuando em cada uma das regionais da Cidade.

Fonte: O Povo Online

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