
Mapeamento do patrimônio nacional escancara profunda desigualdade na distribuição territorial dos super-ricos no país
Os R$ 1,2585 trilhão acumulados por 152 pessoas no Sudeste representam 67,55% de toda a fortuna dos bilionários do país, segundo o ranking 2026 da revista Forbes. O levantamento expõe a profunda disparidade territorial entre as grandes fortunas brasileiras ao revelar que mais de dois terços do patrimônio dos bilionários estão concentrados em uma única região.
1º lugar: Eduardo Luiz Saverin Posição 2026: 1º / Posição 2025: 1º / Patrimônio 2026: R$ 162,9 bilhões / Patrimônio 2025: R$ 227 bilhões / Variação: -28,24% (Perdeu) /Idade: 44 anos / Naturalidade: SP /Região: SE / Empresa: Meta / Facebook / Setor: Tecnologia. O cenário de aumento da competição entre as empresas de inteligência artificial provocou uma queda de cerca de 16% nas ações da Meta / Facebook nos 12 meses até junho de 2026, o que afetou o patrimônio do brasileiro Eduardo Saverin, mas não o suficiente para tirá-lo da liderança da lista, onde está desde 2023. Residente em Singapura desde 2012, o discreto Saverin possui a B Capital, empresa de investimentos focada em startups. Em julho de 2026, a empresa anunciou a criação do fundo de venture capital Ascent Fund III, da B Capital, que captou US$500 milhões para investir em startups de inteligência artificial com ênfase em saúde e energia da América do Norte e da Ásia. por Reprodução | Gravesv38
O mapa dos bilionários por região, porém, guarda uma curiosidade. Ter mais nomes na lista não significa necessariamente concentrar o maior patrimônio. O estado do Rio de Janeiro, por exemplo, desbancou São Paulo no topo da fortuna acumulada, atingindo R$ 600,8 bilhões contra R$ 593,2 bilhões dos paulistas.
Embora o estado de São Paulo lidere em número de bilionários, com 95 super-ricos contra 37 do Rio de Janeiro, nomes de peso como Jorge Paulo Lemann, André Esteves e os irmãos Moreira Salles elevaram a fortuna acumulada no estado fluminense.
O levantamento também mostra um contraste ainda maior entre Nordeste e Centro-Oeste. Enquanto 21 bilionários nordestinos acumulam R$ 62,3 bilhões, apenas sete nomes do Centro-Oeste somam R$ 59,2 bilhões.
Região Sul ocupa o 2º lugar no mapa de magnatas da Forbes
Depois do Sudeste, o Sul cravou a segunda posição no mapa da riqueza, reunindo 67 nomes e um patrimônio somado de R$ 292,7 bilhões. Santa Catarina puxa a fila do bloco com 38 bilionários, impulsionada quase inteiramente pelos herdeiros e executivos da fabricante de motores WEG, ligada à origem da fortuna de 31 deles.
O empresário Alceu Elias Feldmann, fundador da Fertipar, lidera a fortuna sulista com R$ 19,2 bilhões, seguido por Lirio Albino Parisotto, fundador da Videolar, com R$ 14,2 bilhões; Julio Bozano, da Bozano Investimentos, com R$ 12,6 bilhões; e Alexandre Grendene Bartelle, cofundador da Grendene, com R$ 12,1 bilhões. Luciano Hang, dono da Havan, fecha esse grupo de maiores fortunas sulistas, com patrimônio estimado em R$ 11,9 bilhões.
Nordeste soma o triplo de bilionários do Centro-Oeste
Uma diferença expressiva marca o confronto entre o Nordeste e o Centro-Oeste na divisão de bilionários por região. O Nordeste tem 21 bilionários, enquanto o Centro-Oeste tem apenas sete. A diferença é de três para um.
Mesmo assim, o patrimônio acumulado pelos dois grupos é quase equivalente. Os bilionários nordestinos somam R$ 62,3 bilhões, enquanto os centro-oestinos chegam a R$ 59,2 bilhões.
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No Nordeste, a maior fortuna é a de Mário Araújo Alencar Araripe, fundador da Casa dos Ventos, estimada em R$ 20,3 bilhões. Na sequência, aparecem fortunas ligadas a setores de alimentos, educação e varejo, como Amarílio Proença de Macêdo, da J.Macêdo, com R$ 4,3 bilhões; Ari de Sá Cavalcante Neto e família, da Arco Educação, com R$ 3,9 bilhões; José Janguiê Bezerra Diniz, da Ser Educacional, com R$ 3,8 bilhões; e Flávio Gurgel Rocha, da Guararapes/Riachuelo, com R$ 3,7 bilhões.
Já o Centro-Oeste, mesmo contando com apenas sete nomes, quase empata em volume financeiro. Acumula R$ 59,2 bilhões em fortuna. Essa concentração no Centro-Oeste se deve aos irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS, que sozinhos detêm R$ 43,8 bilhões, R$ 21,9 bilhões cada um.
A Região Norte não registra nenhum nome no ranking de 2026.
Mas a ausência da Região Norte precisa ser lida com cuidado. A metodologia da Forbes considera várias fontes para identificar patrimônios de R$ 1 bilhão ou mais, com destaque para ações listadas em bolsa e cotações de fechamento. Por isso, não aparecer no ranking não significa que não existam grandes empresários, empresas relevantes ou patrimônios expressivos na região.
Agro, energia e tecnologia definem o mapa dos bilionários
O desenho dos bilionários por região também acompanha a vocação econômica de cada área do país.
No Sudeste, tecnologia, bancos, bebidas, mineração e indústria ajudam a formar algumas das maiores fortunas brasileiras.
No Sul, indústria, fertilizantes, calçados, varejo e investimentos aparecem com força.
No Nordeste, a energia renovável ganha espaço ao lado de alimentos e educação, com Mário Araripe como principal exemplo.
Já no Centro-Oeste, o agronegócio e a produção de proteína animal dominam entre os grandes patrimônios.
O resultado é um mapa em que a origem da fortuna ajuda a explicar não apenas onde estão os bilionários, mas também por que determinadas regiões concentram patrimônios tão elevados.
Como a Forbes calcula a fortuna
As estimativas do ranking consideram, principalmente, os valores de mercado das empresas na cotação de fechamento de 30 de junho de 2026. A metodologia não inclui automaticamente bens físicos que não tenham sido declarados publicamente, como imóveis, aeronaves, embarcações e obras de arte.
Em alguns casos, informações fornecidas pelos próprios participantes também podem ser utilizadas para calcular o patrimônio.
A própria Forbes ressalta que as fortunas podem estar subestimadas. Isso significa que o patrimônio apresentado no ranking deve ser entendido como uma estimativa baseada nos ativos identificáveis segundo os critérios da publicação, e não como um inventário completo de todos os bens de cada bilionário.
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