Em locais próximos aos polos, a combinação entre a inclinação da Terra e seu movimento ao redor do Sol faz com que determinadas áreas enfrentem longos períodos de escuridão durante parte do ano
A ideia de passar meses sem ver o Sol pode parecer cenário de filme de ficção científica, mas é uma realidade vivida anualmente em algumas regiões do planeta. Em locais próximos aos polos, a combinação entre a inclinação da Terra e seu movimento ao redor do Sol faz com que determinadas áreas enfrentem longos períodos de escuridão durante parte do ano.
Apesar de chamar atenção, o fenômeno é completamente natural e não tem relação com eclipses, mudanças climáticas ou qualquer evento extraordinário. Trata-se de um efeito previsto pela astronomia e observado há séculos por comunidades que vivem em altas latitudes.
Por que o Sol desaparece em alguns países?
O fenômeno é conhecido como noite polar. Ele ocorre porque a Terra possui uma inclinação de aproximadamente 23,5 graus em relação ao seu eixo de rotação.
Durante parte do ano, essa inclinação faz com que regiões próximas ao Polo Norte ou ao Polo Sul fiquem voltadas para longe do Sol. Como consequência, a estrela não chega a ultrapassar a linha do horizonte durante dias, semanas ou até meses, dependendo da localização.
Quanto mais próximo dos polos estiver o local, maior tende a ser o período sem luz solar direta.
Quais países podem passar meses sem ver o Sol?
O fenômeno é observado principalmente em países localizados dentro ou próximos dos círculos polares.
Entre eles estão:
Noruega;
Suécia;
Finlândia;
Islândia;
Canadá;
Rússia;
Groenlândia.
Em algumas cidades do norte da Noruega, por exemplo, o Sol pode permanecer abaixo do horizonte por várias semanas consecutivas durante o inverno. Já em partes da Groenlândia e do Ártico canadense, esse período pode ultrapassar dois meses.
O oposto também acontece
A mesma explicação astronômica que provoca a noite polar é responsável pelo chamado Sol da meia-noite.
Nesse caso, durante o verão, algumas regiões polares permanecem com luz natural durante praticamente 24 horas por dia. O Sol continua visível mesmo durante a madrugada, criando paisagens que parecem desafiar a noção tradicional de dia e noite.
Por isso, moradores dessas áreas costumam vivenciar extremos sazonais bastante diferentes daqueles observados em regiões mais próximas da linha do Equador.
E o eclipse solar citado para agosto?
Embora muitas pessoas associam o “desaparecimento do Sol” aos eclipses, trata-se de fenômenos completamente distintos.
No próximo dia 12 de agosto, um eclipse solar total poderá ser observado em partes da Groenlândia, Islândia, norte da Espanha e nordeste de Portugal. Durante o fenômeno, a Lua passará entre a Terra e o Sol, bloqueando temporariamente a luz solar para quem estiver na chamada faixa de totalidade.
A diferença é que um eclipse dura apenas alguns minutos em cada local, enquanto a noite polar pode se estender por semanas ou meses.
Onde o eclipse de agosto será visível?
A faixa de totalidade atravessará o Ártico antes de seguir por áreas da Groenlândia, Islândia, Portugal e Espanha.
Dependendo da localização, a duração do eclipse total será diferente. Em algumas regiões da Groenlândia, por exemplo, o fenômeno poderá ser observado por pouco mais de dois minutos. Já no norte da Espanha, a totalidade deve durar cerca de 20 segundos.
Fora dessa faixa, moradores de partes da Europa, África e América do Norte poderão acompanhar um eclipse parcial, quando apenas uma parte do Sol é encoberta pela Lua.
Como observar um eclipse com segurança?
Especialistas e agências espaciais alertam que nunca é seguro olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada.
Para acompanhar um eclipse, é necessário utilizar óculos certificados especificamente para observação solar ou equipamentos equipados com filtros apropriados. Óculos escuros comuns não oferecem proteção suficiente e podem causar danos permanentes à visão.
Também não é recomendado observar o Sol por meio de câmeras, binóculos ou telescópios sem filtros solares próprios, já que esses equipamentos concentram a luz e aumentam significativamente o risco de lesões oculares.
O que os cientistas aprendem com esses fenômenos?
Além de encantar observadores, eclipses solares continuam sendo importantes para a pesquisa científica. Durante esses eventos, pesquisadores conseguem estudar a coroa solar — a camada mais externa da atmosfera do Sol — em condições que normalmente não são possíveis.
Para o eclipse de agosto, equipes científicas planejam realizar observações atmosféricas e registrar imagens de alta altitude, dando continuidade a uma tradição de estudos que já ajudou a confirmar teorias fundamentais da física, como a relatividade geral proposta por Albert Einstein.
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