O Parlamento nacional aprovou uma emenda constitucional que propõe renomear o país para “Naoero”, em uma tentativa de reforçar a identidade cultural local e se distanciar de heranças coloniais.

O pequeno país insular de Nauru, considerado um dos menores do planeta em território e população, iniciou oficialmente um processo para mudar seu nome. O Parlamento nacional aprovou uma emenda constitucional que propõe renomear o país para “Naoero”, em uma tentativa de reforçar a identidade cultural local e se distanciar de heranças coloniais.

A medida foi aprovada na última terça-feira (12) e ainda dependerá da realização de um referendo popular para entrar em vigor definitivamente. Até o momento, o governo não anunciou uma data para a consulta pública.

Localizado no sudoeste do Oceano Pacífico, o país possui apenas 21 quilômetros quadrados, área menor que a do arquipélago de Fernando de Noronha, e população estimada em cerca de 13 mil habitantes.

Apesar de ser reconhecido como uma república parlamentarista independente desde 1968, Nauru não possui uma capital oficial. O distrito de Yaren abriga o Parlamento, os escritórios presidenciais e os principais órgãos administrativos do país, funcionando como sede do governo.

A nação é considerada a terceira menor do mundo em área territorial e população, atrás apenas do Vaticano e de Mônaco em determinados rankings internacionais.

O sistema político funciona sem partidos formais. Todos os parlamentares disputam eleições como independentes, e o presidente é escolhido entre os próprios membros do Legislativo. Atualmente, o país é governado pelo presidente David Adeang, eleito em 2023.

Mudança busca romper com herança colonial

O novo nome, “Naoero”, é uma referência à denominação tradicional usada pelos próprios habitantes locais antes da influência europeia.

Segundo autoridades locais, a proposta faz parte de um movimento de valorização cultural e fortalecimento da soberania nacional diante do passado colonial vivido pela ilha.

A história de Nauru é marcada pela ocupação estrangeira. O território foi avistado por europeus em 1798 e posteriormente controlado pela Alemanha no fim do século XIX. Após a Primeira Guerra Mundial, o território passou ao controle da Austrália e do Reino Unido.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a ilha foi ocupada pelo Japão, período em que centenas de moradores morreram em trabalhos forçados, execuções e ataques militares.

Fortuna do fosfato transformou o país

A economia de Nauru foi profundamente transformada após a descoberta de grandes reservas de fosfato em 1900. O minério, originado de milhares de anos de acúmulo de guano, fezes de aves marinhas ricas em fósforo, tornou o país extremamente rico nas décadas de 1970 e 1980.

Mineração de fosfato em Nauru – Foto: (Reprodução/Wikimedia Commons)

Na época, Nauru chegou a registrar uma das maiores rendas per capita do mundo, alcançando cerca de US$ 50 mil por habitante.

Grande parte da riqueza, porém, foi perdida ao longo dos anos devido a investimentos considerados malsucedidos, incluindo empreendimentos imobiliários internacionais e uma companhia aérea deficitária.

Hoje, o país mantém forte dependência econômica e política da Austrália, principal parceira comercial, de segurança e de ajuda financeira da ilha.

Tratado com a Austrália prevê apoio milionário

Em dezembro de 2024, Nauru e Austrália assinaram um tratado bilateral que ampliou a cooperação econômica e de segurança entre os dois países.

O acordo prevê cerca de US$ 140 milhões em investimentos australianos ao longo de cinco anos, incluindo apoio orçamentário e recursos voltados ao sistema de segurança e policiamento local.

O tratado entrou oficialmente em vigor em setembro de 2025.

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