Mensagens obtidas no celular do ex-dono do Banco Master indicam que Daniel Vorcaro conversava com Moraes sobre abandonar o País
Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, indicam que o banqueiro conversava com o ministro do STF Alexandre de Moraes sobre a Operação Compliance Zero e sobre a possibilidade de deixar o País para evitar prisão preventiva.
No sábado 15 de novembro de 2025, Vorcaro perguntou a Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Dois dias depois, na noite de 17 de novembro, ele foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de São Paulo ao tentar embarcar em jato particular rumo a Malta e, em seguida, Dubai. A informação foi publicada no blog do jornalista Fausto Macedo, do Estadão.
Segundo a reportagem, o compartilhamento de informações começou em 4 de novembro de 2025 e se intensificou à medida que a prisão se aproximava. Investigadores avaliam que o conteúdo permite inferir que Moraes repassava detalhes sensíveis, como datas e horários de diligências da PF. No domingo 16, véspera da prisão, Vorcaro perguntou: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”. A ordem de prisão só foi assinada no dia 17, às 15h29, horas antes da detenção.
As conversas ocorriam em modo de visualização única, com capturas de tela de textos no aplicativo de notas. Por isso, a extração do celular de Vorcaro recupera apenas o que ele enviou, sem as respostas de Moraes. Em 4 de novembro, o banqueiro perguntou se “médio a grave seria busca ou quebra de sigilo?” e cobrou se havia pedido já deferido que pudesse ser bloqueado. No mesmo dia, disse que ficaria acordado esperando informações e pediu para “bloquear toda maldade”, alegando que uma medida drástica quebraria o banco de forma irreversível.
Vorcaro também perguntou se o juiz era o mesmo Ricardo (Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal do DF), se o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, estava ciente e se “conseguimos fazer algo”. No dia da prisão, às 17h26, indagou se Moraes tinha “alguma novidade” ou havia conseguido “bloquear”. Relatos anteriores da mesma equipe mostram que o banqueiro pediu ao ministro que intercedesse junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Procurados, o ministro Alexandre de Moraes e a defesa de Vorcaro não se manifestaram. A operação já teve dez fases, Vorcaro foi preso novamente em março de 2026 e o caso subiu ao STF. O banqueiro teve duas propostas de delação rejeitadas e busca uma terceira.
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